O ator brasileiro Rodrigo Ternevoy, que ficou famoso na Irlanda por interpretar o personagem Cristiano San Martin, um chileno, dono de um café na maior novela irlandesa, a Fair City, no canal RTÉ One, deixou a trama depois de cinco anos no ar e resolveu voltar ao Brasil neste ano. E nem bem chegou ao país e já participa de um grande filme, O Velho Fusca, ao lado de feras como Tonico Pereira, Cléo Pires, Danton Mello, Caio Manhente e grande elenco. O JORNAL falou com o ator sobre seu sucesso na Irlanda e essa volta ao Brasil. Confira:

O JORNAL – Porque deixou a Irlanda?
Rodrigo Ternevoy – Eu não sinto como se tivesse deixado a Irlanda para trás, assim como eu nunca senti que deixei o Brasil em 2008. Aquilo que amamos nunca sai dos nossos corações. Depois de 14 anos morando na Irlanda, senti que era um bom momento para voltar as minhas raízes, ficar mais perto dos meus pais e da minha avó. Estou morando aqui agora, mas ainda tenho família na Irlanda e sempre irei voltar para visitá-los.

O JORNAL – Quando voltou?
Rodrigo Ternevoy – Cheguei no Rio de Janeiro exatamente no dia do meu aniversário deste ano, dia 18 de março.

O JORNAL – Teve mais trabalhos na Irlanda, tirando a novela? Se teve, quais foram? Fale um pouco sobre o que viveu lá, na novela…
Rodrigo Ternevoy – Sem dúvida o meu maior trabalho na Irlanda foi na novela Fair City, no ar desde 1989. O formato das novelas de lá é bem diferente das do Brasil. Entrei para o elenco em 2016 e saí em 2022, foram quase 400 episódios ao longo desses cinco anos que fiquei na novela. Na Irlanda eu fiz diversos comerciais de TV, um dos mais importantes para mim foi o comercial do referendo sobre o casamento gay, onde 62% da população disse SIM e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na República. Também participei de diversos curta-metragens e sem dúvida o mais importante para mim foi o curta ‘O Peso do Tempo’ (nome em inglês The Weight of Time). Eu escrevi, produzi e protagonizei o filme que teve sua estreia no final de 2021, de lá para cá ganhamos diversos prêmios em festivais de cinema espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil como melhor ator. Longa-metragens foram ao todo três na Irlanda e dois até agora no Brasil.

Ao lado de Cléo Pires

O JORNAL – Quais suas impressões do brasil, depois de passar tanto tempo fora?
Rodrigo Ternevoy – A felicidade de estar de volta em casa é tamanha que no início tudo é relevado, a emoção toma conta da razão, mas depois de alguns meses morando aqui percebo o quanto o governo e posteriormente a pandemia destruiu o país. Me corta o coração ver tamanha miséria pelas ruas das cidades, a quantidade de pessoas morando nas ruas é algo desesperador. Só espero que em outubro desse ano façamos a escolha certa e que essa situação comece a melhorar o quanto antes. Mas esse é o nosso país e a pandemia destruiu todo o planeta, aos poucos vamos sair dessa. Tenho fé!

O JORNAL – Quais dificuldades para se adaptar novamente ao cotidiano brasileiro?
Rodrigo Ternevoy – Eu diria que a primeira coisa que tive que me adaptar por aqui foi o clima. A Irlanda é um país muito frio e cheguei no Rio em março desse ano quando a umidade chegava a 90% e eu não tinha ar-condicionado ainda (risos). Vamos dizer que foi um teste para mim e, principalmente, para o meu marido David que nasceu na Irlanda e está mais do que acostumado com o clima de lá. Uma outra coisa que tivemos que nos acostumar é com a violência daqui. Infelizmente há muitos casos de furtos pela cidade e temos que estar sempre com a atenção redobrada. Do lado positivo não tive problema nenhum em me readaptar com a comida brasileira. Logo no primeiro dia comi feijoada e bebi caipirinha. Me senti muito rapidamente em casa!

O JORNAL – Do que mais sentiu falta daqui?
Rodrigo Ternevoy – Sem dúvida da minha família e dos meus amigos. Abdicamos de muita coisa quando moramos fora e 14 anos longe do Brasil deixou meu coração bem apertado. A minha Avó Maria, com 84 anos de idade, ajudou muito nessa decisão de retornar ao Brasil.

O JORNAL – Em relação a profissão, quais trabalhos realizou depois que voltou?
Rodrigo Ternevoy – Assim que eu cheguei no Brasil fui chamado para três testes diferentes. Um para uma série de TV famosa que acabou não dando certo (essa é a vida do ator, mais nãos do que sim, mas seguimos em frente). Os outros dois testes foram para dois longas e fui selecionado para os dois. Um deles foi o longa-metragem do Murilo Salles que tive uma participação bem pequena e o outro foi ‘O Velho Fusca’ dirigido por Emiliano Ruschel e protagonizado por Tonico Pereira e Caio Manhente. No filme o meu personagem é filho do personagem do Tonico e irmão de Mauricio, personagem do Danton Mello e cunhado de Elaine, personagem da Cleo Pires, que também co-produziu o filme. No elenco também temos Christian Malheiros, Isaias Silva, Yuri Marçal entre muitos outros.

O JORNAL – Quais dificuldades para se recolocar na profissão aqui?
Rodrigo Ternevoy – Eu me tornei ator na Irlanda e assim que decidi vir para o Brasil eu tive que mandar toda a minha documentação comprovando que eu era um ator profissional, como, por exemplo, diplomas e contratos de trabalho ao SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões) e depois de analisarem tudo eu consegui o meu DRT que me autoriza a trabalhar como ator em qualquer lugar no Brasil. Eu também contratei uma empresária para me ajudar na carreira de ator por aqui, o nome dela é Claudia Wildberger, da CW Marketing.

O JORNAL – E o filme? Pode contar um pouco sobre?
Rodrigo Ternevoy – Na trama, depois de descobrir um velho fusca abandonado na garagem do seu avô, Junior, personagem do Caio Manhente, que faz meu sobrinho no filme, bola um plano para conseguir ficar com o carro, mas para isso vai ter que remendar uma antiga briga que fraturou a família há anos. Meu personagem, o Tio Beto, é pivô desse distanciamento na família. Junior descobre um velho amargurado que perdeu a vontade de viver, sozinho, isolado de toda a família. O avô concorda em dar o carro para o jovem, mas Junior terá que fazer por merecer. Enquanto restaura o carro, Júnior começa a cuidar da casa e do avô e os dois iniciam uma linda amizade. Enquanto o jovem garoto sensível aprende com o avô de outros tempos a ser mais assertivo, ele o ensina também a ser menos preconceituoso e mais tolerante, uma troca mútua de experiências. Esse será um filme para toda a família.

O JORNAL – Como é trabalhar do lado dessas feras?
Rodrigo Ternevoy – Foi sem dúvida uma experiência e tanto. Eu nem acreditei quando o elenco todo foi anunciado. Meu primeiro dia de gravação, minha primeira cena no filme foi com o Tonico, Danton, Cleo e o Caio, então não tive tempo de pensar muito. O jeito foi ser profissional e fazer tudo a altura. O bom de tudo isso é que todos são atores maravilhosos e muito, muito generosos, então a troca de energia rolou de uma forma muito natural e as cenas ficaram bonitas. E vale lembrar que trabalhar com o Tonico Pereira é um desafio ainda maior, pois ele é muito, mas muito engraçado e faz todo mundo rir no set o tempo todo. Nunca esquecerei dessa experiência. Sou eternamente grato.

O JORNAL – E os planos futuros, quais são?
Rodrigo Ternevoy – Essa é a pergunta que não quer calar. Agora que estamos aqui no Brasil a pouco mais de seis meses, que já estamos mais acostumados com o clima e bem acomodados em nossa casa. Quero fazer tudo com muita calma. Acredito que o mercado audiovisual irá começar a conhecer um pouquinho mais do meu trabalho e pouco a pouco boas oportunidades virão e no que depender de mim abraçarei com unhas e dentes, dando sempre o meu melhor. Nesse meio tempo visitarei muito a minha família e meus amigos, darei todos os abraços e beijos que não tive tempo de dar nos últimos 14 anos.

 

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