cidadania italiana

Na minha vinda para a Itália o que mais escutei de brasileiros que fizeram o processo de cidadania é que a imensa maioria dos assessores que prestam esse serviço não o fazem da maneira correta.  Tomei um susto com o número de histórias negativas. É uma pior que outra. Como na maioria das vezes quem chega aqui na Itália para reconhecer a cidadania não conhece muito o processo, esses assessores acabam aproveitando-se da situação.  Tem história boa, tem sim, mas a grande maioria é desagradável e acaba abalando famílias e arruinando projetos de vida.  Tomei a liberdade de enumerar algumas experiências e, na medida do possível, alertar um pouco outros brasileiros para que fiquem atentos antes de contratar um assessor para reconhecer a cidadania italiana.

A grande maioria dos brasileiros quando chega aqui na Itália não domina muito bem o idioma. Isso já é uma baita de uma barreira.  Creio que seja a principal.  Sem segurança para se comunicar, você acaba ficando travado e tendo que acreditar no que que o seu assessor te fala do seu processo. Por exemplo, os procedimentos na Comune, quando você chega e no decorrer do processo todo. Algo primordial para quem quer reconhecer sua cidadania: estude a lei e conheça tudo o que for possível de cidadania italiana. Assim suas chances de ser enganado acabam ficando menores. E, claro, estude italiano. Participe de todo o processo. Vá até a Comune, fale com o oficial, converse, mande e-mail. Nunca fique esperando tudo do seu assessor.  Desconfie se o seu assessor tentar te colocar medo para que não saia, para não ir ao Comune.  Durante todo o meu processo descobri coisas sozinho ou por amigos que moravam comigo que foram muito importantes.

Cuidado na hora de fechar o seu contrato. Verifique se a empresa é constituída no Brasil e na Itália, isso vai te proteger no futuro em caso de algum problema com eles.  É uma besteira essa questão de referências. Nem sempre o que vale para x vale também para y. E tem muito assessor que mente e até paga para pessoas falarem bem deles. Então, confie desconfiando.  Não, não caia na besteira de pagar 100% antecipado o seu contrato. Pesquise profundamente o nome dos proprietários e da empresa que vai contratar na Justiça para não cair em golpe de estelionatário.

Não. Não viaje para a Itália acreditando no seu assessor de que seus documentos estão prontos e chegam na próxima semana. Só saia do Brasil se estiver com todos os seus documentos na mão. Não, não acredite no papo do assessor que te fala que tem residência, sim, que vai pedir sua residência e você por desconhecimento fica esperando, esperando… até que um colega de quarto te alerta e você viu que já se passaram dois meses. Por isso estude a lei, estude o processo e desconfie. Desconfie de tudo. Vim para a Itália acreditando no meu assessor e só depois do processo finalizado e eu já morando em outra cidade descobri que eu e minha família fomos enganados. Na casa em que eu iria fazer o processo não existia residência disponível e os assessores ficaram me enrolando, enrolando até que uma residência fosse desocupada. Hoje estou bem, minha família está bem. Mas esse erro me causou grandes problemas. Para mim e para minha família. Então, cuidado. Muita atenção. E procure sempre um bom advogado antes de analisar o contrato.

Não existe milagre no processo de cidadania italiana.  Desconfie também de prazos curtos, de que fulano é amigo do Sindaco ou que é italiano, que é padre, vigário ou o que seja. Fuja de jeitinhos e de brasileiros muito espertos.  O processo em si é simples. Você que é descendente tem o direito por sangue. Em resumo, o que você precisa para ingressar com o processo é viajar aqui para a Itália, com todos os seus documentos, desde o seu antenato, e ter um  local para você ficar que te possibilite a residência oficial. E paciência, porque o processo pode demorar até seis meses para ficar pronto.

Compensa? Claro que sim. Ter o reconhecimento da cidadania e poder dar aos meus filhos a possibilidade de estudarem na Europa vale por tudo isso. Espero ter ajudado um pouco quem esteja pensando em contratar um assessor.

 

Henrique Fernandes, jornalista, mora no Vêneto.

[email protected]

 

 

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