cidadania italianna

A arquiteta paulista Carolina Anzolin Iaquinto, 29 anos, está feliz da vida. Na última semana sua cidadania italiana foi reconhecida e agora ela já pode retornar para Dublin, onde mora na Irlanda, como uma nova cidadã europeia. Após uma crise econômica no Brasil, em 2015, ela e mais 70% dos funcionários de uma construtora onde trabalhava foram despedidos. Ela não pensou duas vezes. Pegou o dinheiro da rescisão, seguiu conselhos de amigos e embarcou para a Irlanda para aprender inglês. Está lá há três anos. Mas, recentemente, decidiu que era hora de ir atrás da sua cidadania italiana.

“Sendo brasileiro você consegue obter o visto de estudante podendo trabalhar 20h/semana por 8 meses, podendo renovar por até 3x. Com a cidadania italiana eu me torno uma europeia podendo ter o livre acesso e permanência em qualquer país europeu o que também facilita na área profissional, pois empresas não pagam taxas de vistos para europeus, sendo assim há mais oportunidades de emprego”, afirmou Carolina, que teve o seu processo de cidadania finalizado em pouco mais de 1 mês. Ela contou um pouco sobre sua adaptação na Irlanda e a vida na Ilha. “Estar num lugar novo sempre é desconfortável no início, até que você descobre lugares que gosta de ir, onde comer, faz amigos, aprende a se comunicar e acredite: os brasileiros são sempre os que irão te ajudar mais, afinal está todo mundo ali, igualmente, tentando fazer desse diferente país o seu lar”.

Ela conta que o país conta com milhares de oportunidades e integra muito bem os imigrantes em todas as áreas. Voltar para o Brasil, no momento, está fora de questão. “Talvez no futuro, afinal minha família está lá e isso sempre é um fator importante, porém eu tenho mais perspectiva e qualidade de vida aqui e isso é difícil de abrir mão”, afirmou a arquiteta que se arrepende de não ter ido mais jovem para a Europa. Em Dublin, ela mora no centro da cidade e atualmente é bartender em um pub no centro turístico. “Trabalho durante a noite e durmo durante o dia. Quando eu acordo vou na aula de inglês, academia, resolvo algum trabalho doméstico e depois vou para o trabalho andando (se não estiver chovendo), que fica 30 minutos da minha casa. É uma vida tranquila (risos)”.

Carolina falou um pouco sobre os valores que gasta em Dublin, com aluguel, principalmente. “O aluguel na Irlanda está supervalorizado, um quarto apenas para você pode chegar a custar uns €800 com contas. Mas tudo isso depende da localização e de quantas pessoas dividem a casa, esse valor muitas vezes cai para €300 se você divide o quarto com mais alguém. A comida num geral é bem barata, tendo mercados que compram direto de produtores locais, como Tesco, Aldi, Lidl, vendendo o produto num enorme custo benefício, sem muitas taxas de imposto. No geral tudo vale a pena se você trabalha umas 40h semanais ganhando o mínimo salarial de €10,10. Não é tão difícil guardar dinheiro e ter uma boa qualidade de vida. Talvez uma família, com crianças, que precise de sua própria casa, tenha que trabalhar um pouco mais, pois realmente o aluguel é o mais custoso”.

As escolas públicas para crianças são ótimas, segundo ela. “A Irlanda tem ótimas escolas públicas para crianças, porém a universidade é paga. Outra vantagem de ser europeu é que o valor cai mais de €2000 se você é um estudante europeu, comparado a estudante de outros continentes. O sistema de saúde público não é um dos melhores, não é organizado e normalmente bem demorado, além de que você paga por usar tudo, principalmente se é um imigrante. Porem tem os GP’s que são os clínicos pagos, que tem um atendimento mais rápido e é quase o mesmo preço, por volta de €50 a consulta (se você precisa de exames, muitas vezes já é incluso no valor da consulta)”.

Agora, como italiana, Carolina tem como planos iniciar sua pós-graduação em gerenciamento de negócios no próximo ano. “Quero poder ganhar força no mercado de trabalho e com certeza aproveitar que estou pela Europa para viajar e conhecer mais da cultura do velho mundo”.

Por: Henrique Fernandes ([email protected])

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